ESTAMOS EM PAUSA.

ESTAMOS EM PAUSA.

“A vida necessita de pausas” (Carlos Drummond de Andrade).

Crescemos, experienciamos e aprendemos tanto tanto em 2018.
Gratidão a todos que nos acompanharam, obrigada pela confiança, pela entrega, pela troca.

Estamos num ano sabático em pausa
Estamos integrando as experiências.
Aceitamos o convite da vida para mergulhar no mundo interno e real dentro de nós.

Estamos bem.
Vivendo pé descalço no chão, sentindo o vento no rosto, vivenciando a risada do filho, ouvindo segredo no pé do ouvido das pessoas próximas, colhendo amora do pé, cantando no engarrafamento. Quem sabe a gente não se esbarra por aí, em alguma esquina do mundo real?

Um abraço,
Um dia, talvez, voltaremos.

Maria e Michelli
Equipe Amoreira

Sobre as perguntas das crianças pequenas.

Por Michelli Lorenzi

Na próxima vez que seu filho pequeno perguntar algo como “por que o céu é azul?”, se puder, segure o impulso irresistível de dar respostas (afinal, passamos a vida fantasiando o quanto ensinaríamos os pequenos sobre a vida e todas as coisas, não é mesmo?).

Ao invés de falar sobre luz, física, ângulo, que tal um singelo “hummm que pergunta interessante… o que você acha?”. Daí, abrimos espaço interno pra ouvir a criança e nos deliciar com sua lógica peculiar e única. Assim, vamos aprendendo a criar um lugar aconchegante de escuta em nossa alma para as pessoas que amamos.

Depois, podemos convida-lá para observar o pôr do sol ou a noite estrelada e chamar sua atenção para a mágica da vida: “olha quantas cores o céu pode ter, não é incrível?”.

Não tenha pressa. Temos muito tempo e, é bem provável, seu filho encontrará muitas pessoas ao longo da vida que possam lhe explicar porque o céu é azul. Afinal, todos adoramos dar respostas. Mas são poucos os que sabem viver as maravilhas ocultas das perguntas.

Em Disciplina Positiva dizemos que educar vem de educare, que significa extrair, fazer emergir. E nossa primeira tentação costuma ser de despejar tudo o que sabemos no outro. Calma. Respire. Ajude o outro a fluir a partir de si.

E então, admirando junto com sua criança pequena o céu estrelado, podemos nos deslumbrar com a mágica que permeia o mundo, a generosidade e beleza da natureza, a preciosidade da nossa vida.

As perguntas das crianças pequenas podem se tornar um convite da vida para desacelerar e se permitir olhar pro mundo com os olhos curiosos e atentos das crianças, com olhos de PRIMEIRA VEZ. Perceber o quanto o mundo é um milagre inexplicável e que estar vivo é a maior das dádivas. Abrir mão das respostas para usufruir das perguntas e da vida. Quem topa?

Sobre maternidade, palpites e crianças pequenas.

Por Michelli Lorenzi

“É preciso coragem para criar uma criança; e é preciso coragem para ser uma criança” (trecho do livro “Disciplina Positiva para crianças de 0 a 3 anos”, editora Manole).

Logo que nosso primeiro filho nasce, vivemos os dias mais emocionantes de nossas vidas – em todos os sentidos. Podemos nos sentir atrapalhadas, desajeitadas, inseguras. E amamentar? Uau, não importa quantas vezes tenhamos visto uma mãe amamentar, é tão novo, diferente e pode ser tão mais difícil do que aparenta, não é mesmo? É muito desafiador, e exige uma boa dose de coragem para fazer algo pela PRIMEIRA VEZ em nossas vidas, seja amamentar, dar o primeiro banho, vestir a primeira roupa.

Então, as pessoas ao nosso redor, e até estranhos, na melhor das intenções, começam a nos bombardear (ou somos nós, na exaustão típica da maternidade, que nos sentimos assim) com os temidos palpites. “Faça assim”, “Não faça assim”, “Isso não vai dar certo”, “Não é assim que se faz”, as vezes chegam a tirar o bebê dos nossos braços dizendo “deixa que eu faço pra você”. Daí podemos nos sentir inadequadas, a pior mãe do mundo, desqualificadas. Podemos pensar “o mundo está me julgando”. Sentimos frustração, ressentimento, as vezes ate raiva. Mesmo que as pessoas tenham vindo a nós com a intenção de ajudar, podemos sentir que não nos acham capazes de cuidar do nosso filho.

Talvez, o que mais precisamos quando estamos tão vulneráveis, sensíveis e tentando nos descobrir como mãe/pai, e tentando descobrir quem é nosso filho/filha, o que dá certo, o que não dá, seja receber encorajamento. Alguém que nos permita cometer erros – porque, com certeza, cometeremos- e, ainda assim, nos diga “eu sei como pode ser assustador esses primeiros dias, foi assim comigo também, você está se saindo muito bem”, ou talvez algo como “é difícil fazer tantas coisas pela primeira vez, e eu confio em você” ou até mesmo um sorriso em silêncio, com um olhar que diz “vá em frente, você consegue”.

Daí nossos bebês e nós, pais, sobrevivemos aos primeiros meses e quando nos damos conta, nosso bebê virou uma criança que anda, corre, fala, tem vontade própria. Descobrem um mundo para além do nosso colo e querem testar todos os limites, isso se eles forem crianças saudáveis, bem cuidadas e se desenvolvendo normalmente. Eles, que eram totalmente dependentes de nós, desenvolvem um desejo cada vez maior por autonomia dizendo “faço SOZINHO”, com muita ênfase no SOZINHO. E se você tentar ajudar abrindo a torneira pra lavar as mãos, talvez ele precise fechar a torneira para então poder abri-la de novo, dessa vez, SOZINHO. E como eles são atrapalhados e desajeitados! Como demoram!! E quanta bagunça fazem pela casa!

E então, sem perceber, podemos virar os PALPITEIROS na vida dos nossos filhos. “Faça assim”, “Não faça assim”, “Isso não vai dar certo”, “Não é assim que se faz”, as vezes chegamos a tirar as coisas das mãos deles dizendo “deixa que eu faço para você”. São nossos filhos, é claro que os amamos, queremos que cresçam felizes, confiantes, queremos poupar das frustrações, ajudar, nos sentir úteis, afinal, pode ser doloroso sair do papel principal (pesado, mas gratificante) para papel de coadjuvante na vida dos pequenos. Tão mais fácil e rápido fazer por eles. As crianças pequenas continuarão precisando de ajuda por um tempo ainda, mas talvez seja interessante esperar que peçam pela nossa ajuda para intervir e, antes disso, permitir que cometam erros, tentem quantas vezes forem necessárias, treinem, o cérebro precisa disso para se desenvolver de forma saudável. Ajuda desnecessária prejudica esse desenvolvimento.

Que tal trocar o “não, você ainda é muito pequeno” e “deixa que eu faço, você ainda não dá conta” por “é preciso coragem pra fazer algo pela primeira vez, admiro sua coragem”, “continue tentando, é assim mesmo, nem sempre conseguimos na primeira vez”? Encorajamento é a essência da Disciplina Positiva.

Encorajar é também ser responsável. Crianças pequenas precisam de constante supervisão, treinamento e muita paciência (deles e nossa). Caberá a nós, adultos, a prudência para proteger nossos filhos dos grandes perigos e o bom senso para permitir que se arrisquem nos pequenos perigos inerentes à própria condição de estarmos vivos. Como dizia Rudolf Dreikurs “um joelho ralado pode ser curado, mas a coragem ferida dura a vida toda”.

Nunca é demais repetir “é preciso coragem para criar uma criança; e é preciso coragem para ser uma criança”. Ou como diria Bela Gil “você pode trocar o palpite pelo encorajamento”. Vamos tentar?

Sobre alimentação

A Disciplina Positiva explica que existem três áreas em que a criança tem total controle sobre o processo: comer, dormir e fazer xixi/coco. Quando uma ou mais dessas três áreas se tornam uma grande questão dentro da família, pode ser válido avaliar se não estamos em uma disputa de poder com a criança.

O que significa dizer que a criança tem total controle sobre o processo? Podemos cozinhar, tentar brincadeiras, manipular, usar castigo/recompensa, podemos até colocar comida à força dentro da boca da criança, mas não temos como fazer a criança mastigar e/ou engolir. Isso não significa que por estar no controle dela, ela terá o poder e direito de decidir o que comer e quando comer, já que ainda é pequena e não possui maturidade e conhecimento suficiente para avaliar as consequências no longo prazo de, por exemplo, se alimentar apenas de fast food. Caberá a cada família criar suas regras dentro dos valores em que acredita.

Em áreas em que a criança tem total controle (principalmente quando se trata de crianças pequenas), pode ser mais útil decidir o que VOCÊ, adulto, irá fazer ao invés de tentar decidir o que a CRIANÇA deverá fazer (essa é uma das grandes armadilhas para a disputa de poder: tentar manipular o comportamento do outro, seja o filho, parceiro, amigos, estranhos na rua). Pode ser muito frustrante e desesperador viver tentando decidir sobre o comportamento dos outros, sobre o que eles deveriam fazer, como deveriam se sentir ou pensar (acreditem, eu já vivi muito assim).

Hoje temos muitas leituras, documentários e reportagens sobre a importância de uma boa alimentação e pode ser muito preocupante quando as crianças não comem. Muitas vezes, quando os pais dizem “meu filho não come”, é mais provável que queriam dizer “meu filho não come as coisas que eu gostaria que ele comesse na quantidade que eu acho ideal”, e não necessariamente uma criança que realmente não coma nada.

Se pensarmos nos hábitos alimentares entre os adultos, é natural ouvirmos coisas como “enjoei do tempero desse restaurante”, “estou numa fase em que só quero comer doces/saladas/pães” ou “nossa, experimentei um arroz cremoso de camarão no quituart DELICIOSO e agora só quero comer isso todo dia” ( <– essa sou eu).

Ou que há dias em que sentimos muita fome e comemos muito mais do que achamos apropriado, e dias em que simplesmente comemos pouco e dizemos “estou sem muita fome hoje”.

Talvez a diferença seja a expectativa que criamos em relação à alimentação dos pequenos. Se o seu parceiro ficar uma semana sem comer salada, dificilmente vamos entrar no google e pesquisar “meu marido não quer comer salada e agora?”. Talvez seja interessante mudar o olhar de “a criança entrou numa fase de seletividade” pra “a criança está ganhando autonomia, consciência e experimentando as possibilidades da vida”. Ou, em outras palavras, está começando a agir como todas as outras pessoas, com coisas que gosta, que não gosta, e a possibilidade de mudar de ideia ao longo da vida.

Pode parecer desrespeitoso “deixar a criança com fome”, mas não é nem gentil ou respeitoso passar a refeição toda disparando perguntas e súplicas “come só mais um pouquinho, vai! só mais uma colherzinha! eu fiz com tanto carinho.. é bom pra você. Então escolhe entre cenoura e brócolis, pelo menos um deles você precisa comer”. Alguém agiria assim com um convidado adulto que viesse jantar na sua casa? “Poxa, mas você comeu tão pouco.. e nem encostou na salada! Come mais um pouco, vai! Quer que eu faça uma omelete? um copo de leite? Assim você vai ficar com fome de madrugada.. se você comer eu deixo você conhecer a vista da sacada, que tal?”.

Mais importante que a ferramenta da DP, é entender o princípio que está por trás da ferramenta. Tudo tem uma essência e as crianças são melhores que nós em perceber a real essência das coisas. Se a criança se recusar a comer, podemos dizer “tudo bem, não precisa comer” e retirar o prato a partir de uma essência autoritária em que nossa intenção é “mocinho, nessa casa as regras são minhas, se não quer comer, então vai passar fome pra você aprender quem manda aqui”. Ou podemos retirar o prato a partir de uma essência de chantagem “não quer comer, tudo bem.. mas depois se você ficar com fome não vou dar, viu? tem certeza? vai passar fome, é isso que você quer?” (e, normalmente, quando estamos chantageando, é muito comum cedermos quando a criança chora e pede outras comidas, e acabarmos “abrindo exceções”, com a esperança de “só dessa vez, amanhã não vai ter exceção, viu?”). Ou podemos retirar o prato a partir de uma essência de respeito pela criança “tudo bem se você não quiser comer, confio na sua capacidade de lidar com as consequências das suas escolhas” e permitir que ela faça o que todos nós fazemos de vez em quando “hoje não quero cenoura” sem grandes repercussões.

Algumas coisas que podem ajudar a acabar com as disputas de poder é focar em decidir o que está dentro do se poder de decisão: oferecer um cardápio rico em nutrientes e saudável, com opções para todos os membros da família. E estar disposta a aceitar que tudo bem se nem todo mundo comer de tudo. Faça combinados, estabeleça regras e avise com antecedência sobre os horários em que as refeições serão servidas. Como também foi mencionado, os adultos também tem direitos iguais ao respeito. A criança pode não querer comer, mas não é respeitoso reclamar da comida, ou querer fazer pedidos como se estivesse em um restaurante para ser servido 24 horas por dia (as necessidades de todos, adultos e crianças, precisam ser consideradas).

Ao invés de focar no que está no prato dos seus filhos ou quanto eles estão comendo, que tal ajustar as expectativas e tornar a hora das refeições um momento de encontro emocional e espiritual da família, em que conversamos sobre como foi nosso dia, os planos pro final de semana, compartilhar as coisas boas, tiramos o olho do prato dos pequenos pra olhar dentro da bolinha dos olhos deles e ouvir o que eles tem a nos contar, criando um momento de conexão da família? Gosto muito da Fabíola Duarte que diz que o momento de comer é um momento em que comemos não só o alimento, mas comemos o mundo. Afinal, os anos passam rápido demais e, um dia, quando nossos filhos se tornarem adultos, talvez as conversas e trocas ao pé da mesa sejam muito mais valiosas e importantes para a saúde física, mental e emocional deles que a quantidade de brócolis que eles comeram ao longo da vida.

Convide seu filho para cozinhar com você (mesmo que sua cozinha fique toda bagunçada, lembre-se bagunça pode ser sinal de uma casa com vida e que sempre podemos pedir a ajuda deles para limpar a cozinha depois), prepare os alimentos com amor, peça ajuda do seu filho para servir os pratos, colocar os guardanapos, encher os copos de suco (as crianças AMAM ajudar e se sentem aceitos e importantes dentro da família), permita que ele se sirva escolhendo o que quer comer, na quantidade que ele quiser (e confie nele), conversem coisas leves e divertidas. Comer é socializar, comer pode ser bom demais!

Mas afinal, o que é essa tal de Disciplina Positiva?

Você já ouviu falar em Disciplina Positiva?

Se já, consegue explicar o que é?

Difícil, né?

Eu sou educadora em DP e ainda tenho dificuldade em explicar o que é, principalmente para quem nunca ouviu falar — ou para os que ouviram algo por alto e acreditam que é sinônimo de permissividade.

Deixa eu te contar minha experiência.

Meu nome é Michelli, tenho 36 anos e uma filha de 2 anos e 7 meses.

Meu primeiro contato com a  Disciplina Positiva foi antes mesmo da minha filha nascer, por leituras em blogs sobre maternidade e criação de filhos. Viciada em livros, comprei o único livro traduzido para o português na época: Disciplina Positiva, da Dra Jane Nelsen, editora Manole.

​​Confesso que não foi amor à primeira vista. Eu lia sobre criar os filhos de forma respeitosa e empática e isso fazia sentido para mim, mas não conseguia memorizar aquelas teorias sobre objetivos equivocados, crenças por trás do mau comportamento e todas as ferramentas apresentadas ao longo de mais de trezentas páginas do livro. Contudo, mesmo sem eu entender nesse momento, uma semente havia sido plantada.

Não demorou muito para que minha filha chegasse aos dois anos e sua autonomia, desejo por independência e vontade própria se manifestassem, cada dia com maior intensidade. Quem já passou — ou está passando — por essa fase, sabe o quanto todos os nossos conceitos e reações são desafiados, o quanto é fácil ser dragado por essa armadilha.

Em meus momentos mais sou-uma-pessoa-espiritualizada, eu até conseguia sorrir para a expressão de sua força de vontade e poder pessoal; mas nos dias de cansaço, noites mal dormidas e de compromissos inadiáveis que, convenhamos, são frequentes na vida de uma mãe, eu me via num impasse diante daquela pequena criatura, sem saber como agir, me sentindo oprimida pela maternidade e com vontade de saltar pela janela. E, de impasse em impasse, eu me angustiava mais e mais, me sentindo perdida, muitas vezes incapaz, e me perguntando se estava fazendo a coisa certa.

Foi nesse contexto caótico que aquela semente plantada nas minhas leituras germinou! Porque, acima de tudo, eu não tinha certeza do que era certo, eu não tinha caminhos previamente traçados para educar, eu via pontos negativos e positivos em todas as linhas que conhecia, em todos os conselhos que ouvia. Mas eu te confesso: não tinha vontade de seguir nenhuma dessas linhas, porque eu não acreditava de verdade que elas me ajudariam a educar minha filha como eu pensava que ela merecia. Meu coração não se apaziguava, eu não sentia segurança.

Eu precisava retomar a busca por um caminho do meio — e encontrei esse caminho na Disciplina Positiva. Saem de cena o autoritarismo e a permissividade, dando espaço para a Gentileza e Firmeza. Não há espaço para nenhum tipo de punição, seja física ou emocional, nem para elogios, castigos ou recompensas.

Para tudo! Como assim? Como faz?

Como substituir tudo que a gente conhece na educação de filhos?

Ensinando a linguagem do encorajamento; ensinando e a focar em soluções, ao invés de procurar culpados ou usar consequências lógicas – que, na maioria das vezes, são punições disfarçadas. Sabe quando tiramos um privilégio de uma criança por ter se comportado mal e dizemos que “isso é para você aprender a lidar com as consequências da sua escolha”?. Existem sim as consequências naturais das nossas escolhas e sabe qual é a grande sacada para você saber o que é consequência é o que é punição? A consequência acontece naturalmente, independente de sua interferência. 

Bonito, né? Mas no meio do olho do furacão da birra, daquele choro em que você pensa que os vizinhos devem estar ligando pro Conselho Tutelar ou quando, por nada desse mundo, a criança está disposta a entrar no banho, o que fazer? Como agir? Essa sempre foi minha implicância com a Disciplina Positiva, com o que eu tinha lido. Eu criticava esse ponto, eu pensava que nada daquilo funcionava no estado de calamidade pública, mas o que eu sabia, de verdade? A semente germinava, mas eu precisava saber mais!

Quando surgiu a oportunidade do curso de formação de educadores em Disciplina Positiva no Brasil, não pensei duas vezes para me inscrever. E lá fomos nós, a família toda, para Campinas.

Hoje, como educadora, entendo que meu maior erro ao estudar a Disciplina Positiva foi ler e ouvir todas as coisas procurando um passo-a-passo de como agir nas situações desafiadoras. Mas não é disso que se trata. Não estamos aqui falando de um método infalível, de um manual de instruções, estamos falando de uma FILOSOFIA DE VIDA, uma quebra de paradigmas, de um convite para um novo olhar sobre as relações entre as pessoas ou, como gosto de dizer, um exercício profundo de empatia e encorajamento.

Quando entendemos que não há respostas prontas e paramos de olhar para fora em busca da fórmula mágica, estamos aptos a voltar o nosso olhar para dentro de nós e de nossos filhos, e assim tentar entender, com franqueza, os nossos sentimentos, pensamentos, medos e crenças. É através desse exercício de olharmos para nós mesmos que conseguiremos olhar verdadeiramente para nossos filhos, com mais disposição e generosidade para entender os pensamentos, medos e crenças que eles estão construindo através de nossa forma de se relacionar com eles. 

Isto é Disciplina Positiva. Sua essência é, para mim, Amor. É aquilo que a gente sente no coração primeiro, para só então fazer sentido para a cabeça. É por isso que, mesmo sendo um sentimento universal, não existe um conceito fechado sobre o que é o amor.

Eu não ensino Disciplina Positiva para as pessoas, eu as sensibilizo para que possam, elas mesmas, sentir e entender através do seu próprio coração. 

Agora eu te pergunto: e você, já sentiu a Disciplina Positiva?

 

Ps. Esse é o primeiro de uma série de textos que serão publicados para quem quiser mergulhar mais fundo nesse mundo incrível da Gentileza e Firmeza. 😉